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Ferramenta de comunicação para socialização de experiências exitosas no programa GESTAR II. Onde professores formadores, cursistas e alunos poderão interagir. Compartilhando seus avanços e suas dificuldades no transcorrer do curso.
Gestar é um programa de formação continuada em serviço para professores de Português e Matemática que lecionam do 6º ao 9º ano do ensino fundamental.

domingo, 29 de novembro de 2009

Leitura, escrita, cultura e competência sociocomunicativa

COMPETÊNCIA SOCIOCOMUNICATIVA

GESTARII

PROFESSORA FORMADORA

Terezinha Melo

Juazeiro do Norte-CE

Conforme as reflexões de Koch (2002b: 53), a materialização do discurso em forma de gêneros textuais está relacionada, de modo inseparável, à competência sociocomunicativa dos interlocutores. Essa competência se caracteriza como o fator responsável pela capacidade de o falante/autor e o ouvinte/leitor identificarem o que é apropriado ou não a cada situação social, bem como diferenciarem as particularidades funcionais dos variados padrões genéricos.

Segundo Bazerman (2005: 29), as convenções genéricas vinculam-se a estereótipos de situações comunicativas. Por esse motivo, os gêneros textuais tendem a funcionar como espécies de “macro-signos” no jogo da interação verbal, uma vez que o emprego de enunciados padronizados permite identificar, com maior facilidade, o que se pretende dizer, isto é, o que se almeja realizar pela ação do discurso.

Se o discurso é “manifestado lingüisticamente por meio de textos” (Fávero, 1993: 7), os gêneros são definidos como modelos, tipos padronizados

que corporificam a interação verbal. No entanto, ainda que se constituam como

formas pré-determinadas, os gêneros textuais não são moldes estáticos, inflexíveis, invariáveis: todo fenômeno comunicativo está sujeito a ser reestruturado pela interferência criativa dos interlocutores. Nas palavras de Marcuschi (2002: 19), os gêneros são “eventos textuais altamente maleáveis, dinâmicos e plásticos”.

Se a organização sócio-cultural determina a diversidade de padrões textuais existentes em um grupo, a especificidade da situação interativa adapta e redefine esses modelos preestabelecidos. A interação e as necessidades específicas do contexto discursivo, portanto, geram fatores capazes de interferir na estrutura dos gêneros textuais – mesmo em formações aparentemente inflexíveis – promovendo a variabilidade dessas estruturas (Araújo, 2002: 146).

A título de exemplo, nas extremidades desses padrões de interação verbal, podem-se situar os documentos jurídicos e as receitas culinárias, regulados por uma organização normativa menos flexível, e no lado oposto, as propagandas publicitárias, modelos mais abertos à reformulação. Essa recriação da estrutura discursiva do gênero, todavia, não acontece de forma desobediente, de todo o modo, à formação genérica primeira, pois é necessária a manutenção de uma regularidade estrutural mínima, para que seja possível identificar o modelo discursivo original e, assim, realizar-se intencionalidade da ação comunicativa. A liberdade de variação estrutural dos gêneros textuais parece estar relacionada à utilização em sociedade e à orientação persuasiva desses padrões de ação verbal.

“Do mesmo modo que desenvolvemos uma competência lingüística quando apreendemos o código lingüístico, desenvolvemos uma competência sociocomunicativa quando apreendemos comportamentos lingüísticos”. (Gestar II. 2008:24). Toda nossa comunicação se dá por textos. E todo texto se realiza em um gênero, e como ele é considerado uma unidade sociocomunicativa, a sua sistematização no aprendizado e também no ensino leva em consideração diversas características, essas podem ser ligadas ao tema, ao modo de organizar as informações, ou ao uso que se faz do texto nas práticas sociais e discursivas.

Enriquecendo ao parágrafo acima, Marcuschi afirma que: “ Os gêneros textuais são os textos que encontramos em nossa vida diária e que apresentam padrões sociocomunicativos...são formas textuais escritas ou orais bastante estáveis, histórica e socialmente situadas”. (2008:155).

Nós nos comunicamos por textos, por gêneros, e não simplesmente por palavras isoladas, que exercemos nosso trabalho na linguagem quando construímos nossos próprios textos a partir de escolhas lingüísticas que condizem com a nossa história de vida, experiências e propósitos.

Para identificar a diversidade de gêneros textuais não é necessário conhecer uma classificação prévia, basta exercitar a competência sociocomunicativa, a experiência com a linguagem e o conhecimento de mundo. Com as diferentes formas de ver o mundo que cada sujeito desenvolve (incluindo o mundo das palavras) ele age e reage linguisticamente, ou seja, aprende comportamentos lingüísticos (o que pode ou deve ser dito, o que não pode ou não deve ser dito, como pode, ou deve ser dito, em qual situação).
Embora a competência sociocomunicativa esteja desenvolvida, juntamente com a aquisição da língua materna, a vida adulta em um mundo letrado exige refinamentos na identificação dos gêneros que devem vir juntamente com o aprendizado sistematizado das regras da língua e da elaboração textual.

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